Jorge Jesus, Cláudio Coutinho e a ‘europeização’ do futebol brasileiro

Revolucionários, treinadores trouxeram novos conceitos e, a partir do Flamengo, contribuíram para a evolução do esporte no país

“É preciso que algum clube comece a atuar de uma forma mais moderna para que os outros sejam forçados a mudar. O problema é que ninguém quer ser o primeiro. Por isso passamos algum tempo estagnados.” Esta declaração é de Cláudio Coutinho, em sua primeira entrevista, ao Jornal do Brasil, após assumir o Flamengo, em 1976. Mas poderiam muito bem ser palavras ditas por integrantes do atual time rubro-negro de Jorge Jesus.

A chegada de Jorge Jesus demonstrou alguns dos principais vícios e defeitos do futebol brasileiro. Com um futebol ofensivo e moderno, ao melhor estilo dos grandes clubes europeus, o Flamengo encantou o Brasil, a América e até mesmo a Europa no segundo semestre de 2019.

“Foi muito positiva [a repercussão da atuação do Flamengo na Europa]. Não digo surpreendidos, mas os meus companheiros ficaram admirados com a qualidade dos jogadores, a organização”, afirmou o goleiro Alisson à Folha de S. Paulo, se referindo à final do Mundial de Clubes de 2019, vencida pelo Liverpool na prorrogação.

+ Especial: Um ano de Jorge Jesus no Flamengo

Ao ser campeão do Brasileirão com sobras, batendo diversos recordes da competição, e levar o rubro-negro de volta ao topo da América após 38 anos com o tão sonhado bicampeonato da Libertadores, Jorge Jesus trouxe novamente à tona o debate da qualidade dos técnicos brasileiros e da qualidade do futebol jogado no país. O desempenho do português na Gávea e do Santos de Sampaoli, vice-campeão brasileiro, voltou-se ao debate: os técnicos brasileiros estão ultrapassados?

Nós não temos que aprender nada com ninguém?

“O capitão Cláudio Coutinho não sabia jogar futebol, mas ensinava com as mãos. Ele era uma pessoa de vanguarda”. O ponta-esquerdo Júlio César Uri Geller, assim como todos jogadores que fizeram parte daquele ciclo vitorioso entrevistados pelo Hashtag Rubro-Negro, enaltece o treinador responsável por montar a equipe campeã mundial em 1981.

Para entender o Flamengo atual, precisamos voltar à segunda metade da década de 1970. É aí que entra em cena Cláudio Coutinho. Formado na escola de Educação Física do Exército, gaúcho radicado no Rio de Janeiro iniciou sua trajetória no futebol como preparador físico.

Com uma visão além do seu tempo, Coutinho ganhou destaque na Copa do Mundo de 1970. O profissional vinha de um estágio na NASA com Kenneth Cooper, médico norte-americano que vinha trabalhando em um método revolucionário (foi desse método que surgiu a expressão cooper, forma como a corrida como esporte ficou conhecida no Brasil nos anos 80).

O estágio rendeu a Coutinho uma vaga na Seleção Brasileira, onde pôde aplicar os conhecimentos adquiridos, que deram resultado. O Brasil voou não somente tecnicamente, mas também fisicamente, num Mundial que tinha a altitude como novidade.

Mas sua carreira seria transformada quatro anos depois. Como supervisor da Seleção Brasileira, Coutinho viu de perto o Carrossel Holandês. E seria o futebol daquela Holanda que inspiraria seu estilo como treinador.

Em 1976, o então preparador físico ganharia dois grandes desafios: treinar a Seleção Brasileira Olímpica e, depois, o Flamengo. A escolha de Coutinho não era vista com bons olhos, já que os brasileiros tinham um certo preconceito com pessoas “de fora do futebol” no comando de equipes. Ainda mais com o capitão do exército, que além de ser um preparador físico, tentava implementar conceitos trazidos do futebol europeu.

“Sem dúvida, Cláudio Coutinho era um treinador revolucionário. Trouxe conceitos avançados para a época no Brasil. Compactação, marcação por pressão, ultrapassagem dos laterais, jogadores polivalentes”, avalia o jornalista André Rocha, autor do livro “1981”, lançado em parceria com Mauro Beting e a Maquinária Editora em 2011, e que, recentemente, escreveu um texto abordando as semelhanças entre as equipes de Coutinho e Jesus em seu blog no UOL.

Os anos se passaram e o preconceito só foi mudando de cara. Quando chegou, Jorge Jesus já foi recebido de cara pela soberba do futebol brasileiro, típica de quem vocifera pelos quatro cantos que “nós somos pentacampeões, ninguém vai ensinar futebol para a gente”.

Overlapping, ponto futuro e bola coberta

“Na minha cabeça, tenho muito a aprender e a evoluir. Estou muito feliz que vieram ideias novas, porque assim podemos absorver tudo de bom que ele passa para a gente. 70% das ideias novas que ele apresentou, eu não conhecia. “. Nas primeiras semanas de treinos com Jorge Jesus, o zagueiro Léo Duarte antecipou o que viria pela frente. Uma revolução na forma de se pensar futebol no Brasil.

A Holanda de 1974 é o ponto de convergência entre os Flamengos de Cláudio Coutinho e de Jorge Jesus. O tal “futebol total” praticado pela equipe de Rinus Michels e comandada por Cruyff dentro de campo inspirou a postura do time rubro-negro tricampeão carioca em 78 e 79 e campeão brasileiro em 80.

“Cláudio Coutinho viu o Ajax e a seleção holandesa comandada por Rinus Michels e Johan Cruyff, craque e líder daquela equipe, foi o mentor de Jorge Jesus, inclusive com o português fazendo um estágio com o holandês já como treinador”, afirma André Rocha.

A pressão no campo do adversário e a busca incessante pela bola eram umas das principais características. Além da visão tática, Coutinho teve importância fundamental como preparador. O aumento da intensidade trazia consigo, a necessidade de um maior preparo físico dos jogadores, que teriam que percorrer um espaço maior para fazer o que hoje os especialistas chamam de marcação alta.

“O Flamengo do Jorge Jesus tem algumas coisas parecidas. Nós também jogávamos muito dentro do campo do adversário. A gente sempre tentava recuperar a bola dentro do campo do adversário, não deixa eles respirarem. Obriga o adversário a se desfazer de bola fácil e a bola vai cair no pé do zagueiro do Flamengo e o time passa a ficar a maior parte do tempo com a bola”, analisa o ex-volante Andrade, campeão mundial com o Flamengo em 1981, em entrevista ao Hashtag Rubro-Negro.

Junto com essas mudanças, vieram também as novas terminologias introduzidas pelo preparador físico. O “overlapping” e o “ponto futuro” tão preconizados pelo treinador foram recebidos em tom de deboche, mas eram alguns dos conceitos táticos básicos e que moldaram o tão vitorioso Flamengo do fim da década de 1970 e do início dos anos 80.

Ele trouxe aquele futebol mais leve, mais agradável, o ponto futuro, o overlapping, ocupar os espaços vazios. Muitas coisas importantes que aquele time levou para dentro de campo. O jogador não tinha uma posição fixa, era por ocupação de espaço. Se o espaço está vazio, você vai lá e ocupa. Acrescentou muito ao grupo e eram jogadores inteligentes. Ele trouxe o overlaping, que é a ultrapassagem, e a gente tinha dois laterais que faziam isso muito bem”, recorda Andrade.

overlapping coutinho
Exemplo do que era o overlapping: numa época que laterais desempenhavam funções defensivas, Leandro ultrapassa Tita, cria um 2×1 e fica livre para fazer o cruzamento

Além da Laranja Mecânica, o Jorge Jesus tem outras duas grandes referências: o Barcelona de Johann Cruyff, com quem realizou um estágio em 1993, e o Milan de Arrigo Sacchi, do final dos anos 80 e início dos 90. O italiano foi um dos responsáveis por mudar o comportamento do setor defensivo, que passou a priorizar uma marcação menos individualizada no adversário e passou a tratar a defesa com uma visão mais coletiva .

“Os movimentos defensivos são sempre coletivos, não individuais. Como zagueiro, sempre achei que sair ao combate, ficar no mano a mano, era a função, mas não é só isso. É preciso saber o que você deve fazer quando o outro zagueiro sai, o que a linha toda deve fazer”, explicou o zagueiro Léo Duarte na mesma entrevista coletiva citada anteriormente.

Com isso, Jorge Jesus introduziu outro conceito até então pouco conhecido do público brasileiro e um dos pilares do jogo do português: a bola coberta/descoberta. A ideia deste conceito é coordenar as ações do setor defensivo, de forma que o time esteja preparado para pressionar o adversário ou ser capaz de correr para trás para ter boas coberturas e evitar bolas longas nas costas do zagueiros.

“É uma ideia que tem como foco o jogador de defesa ter sempre o equilíbrio para ter vantagem sobre o adversário. É uma coisa que todas as equipes que ele passou trabalham muito bem. É quase uma fixação dele”, avalia Luís Cristóvão, comentarista do canal português Eleven Sports, em entrevista ao Hashtag Rubro-Negro.

Com a bola “descoberta”, ou seja, sem pressão ao portador da bola, os jogadores da linha defensiva se posicionam de forma a poder correr para trás

Além das mudanças dentro de campo, o português também trouxe uma metodologia de trabalho em diferentes frente. Com Jesus, o Flamengo passou a treinar até mesmo em dias de jogos, para pequenos ajustes táticos e aprimoramento das bolas paradas. O treinador também desmistificou a necessidade de poupar jogadores para ser competitivo em duas competições simultâneas.

“Eu tenho uma metodologia de treino completamente diferente daquilo que vocês pensam do que é descansar. Para mim, descansar não é não treinar. É saber treinar ativamente e não passivamente. Vocês acham que descansar é não treinar, e isso não é minha forma de olhar para o treino “, explicou Jesus em entrevista coletiva no final do ano passado.

A tática engessa a criatividade do jogador brasileiro?

“A intensidade vem com a organização tática. Não adianta o time inteiro pressionar e os quatro da frente não”. No programa “Bem, Amigos”, do SporTV, o goleiro Diego Alves sintetizou a importância da organização em um time cuja maior obsessão é ter a bola para poder atacar.

Durante muito tempo, Cláudio Coutinho ficou estigmatizado como um treinador que dava muita importância à parte tática, mas acabava engessando a Seleção Brasileira. A argumentação partida muito do fato de o capitão ter preferido levar o destruidor Chicão à Copa do Mundo de 1978 e deixar de fora o técnico Falcão, tido para muitos como o melhor jogador brasileiro naquela época.

Com isso, veio aquela ideia que até hoje é difundida em diversas análises esportivas: “a tática engessa a criatividade do jogador brasileiro”. Muitos torciam o nariz para a europeização trazida pelo gaúcho, mas o Flamengo dos anos subsequentes mostrou onde um time bem organizado poderia chegar.

Coutinho dividia o campo em setores e exigia que os rubro-negros se agrupassem em torno do companheiro que estivesse com a posse da bola, de modo a formar um quadrado, que possibilitasse triangulações. A estrutura permitia que o time trocasse passes rapidamente, num estilo que os jogadores daquela época chamam de “meio toque na bola”. Além disso, havia também uma pressão coordenada quando a posse da bola era perdida, para recuperar e poder voltar a jogar seu futebol ofensivo.

Jorge Jesus também chegou ao Flamengo quebrando alguns paradigmas do futebol brasileiro atual. Primeiro, trouxe de volta a ideia de se jogar com dois atacantes, contrariando a obsessão dos treinadores brasileiros nos últimos tempos pelo 4-2-3-1 e pelo 4-3-3.

“Todas as equipes que ele teve, era praticamente sempre um centroavante e um segundo atacante que ele teve vários jogadores importantes nessa posição, como o Aimar e o Jonas. É um jogador de exploração de linhas. Não é um camisa 10, não é o centroavante porque é muito mais móvel. É um jogador com capacidade para explorar os espaços entre as linhas e com capacidade de finalização também”, explica Luís Cristóvão.

Ainda na questão dos dois atacantes, Jesus teve que se reinventar. Conhecido por ser muito fiel a seu esquema tático e às funções dos jogadores, ele se viu numa encruzilhada quando o clube não conseguiu contatar um centroavante de ofício e precisou adaptar o estilo do seu ataque às peças que tinha. Gabigol foi o típico segundo atacante das equipes do português. Mas Bruno Henrique alternava. Ora era o ponta de lança, ora fazia um ponta que ataca a defesa em diagonal. Arrascaeta também tinha diferentes funções: podia ser um meia de infiltração ou criação, um extremo e chegou até mesmo a fazer um falso 9 em algumas ocasiões.

Exemplo da variação preferida do 4-4-2 de Jorge Jesus, com Gabigol entre as linhas do River, Bruno Henrique de ponta de lança, Everton Ribeiro e Arrascaeta de meias e Gerson numa função um pouco mais recuada no meio

“Essa é uma das coisas que pode ser elogiada nessa chegada dele ao Flamengo. Ao não ter o modelo de jogadores que ele estava habituado, ele não obrigou os jogadores a respeitar aquilo que era seu modelo de jogo mais habitual. No passado, ele foi muito visto como um técnico impositivo ao que queria, mas no Flamengo se nota uma certa evolução neste aproveitamento dos jogadores”, analisa Luís Cristóvão.

Chamado pejorativamente no início da carreira de “Cruyff da Reboleira”, apelido que juntava o preconceito de suas origens humildes com o grande inspirador de seu modo de pensar futebol, Jesus é um obcecado por táticas. Ao tentar antever todas as possibilidades frente aos mais diversos adversários, ele considera que “o treinador tem que ser mais criativo que os jogadores”. Com esse pensamento, o português vem quebrar o estigma de que a tática engessa a criatividade dos jogadores.

“Ofensivamente os jogadores que passam pelas mãos dele vivem grandes momentos de produtividade criativa na sua carreira. Vários jogadores, com ele, tiveram seus anos mais criativos em termos ofensivos. Ele é um bom exemplo de como a tática pode fomentar essa criatividade no jogo”, explica Luís Cristóvão.

O que os outros esportes podem nos ensinar?

“O Coutinho usava muito o boxe como parâmetro. Ele dizia: ‘você vai lá, dá um soco no cara e vê que o cara deu uma baqueada, vai lá e dá outro de novo e joga o cara para a lona’. Quando a gente fazia um gol, o adversário estava um pouco tonto, então a gente ia para fazer dois, três e matar o jogo.”

Interdisciplinaridade é uma das palavras mais faladas no ramo da educação hoje em dia. É necessário saber fazer conexões entre diferentes áreas de conhecimento. E tanto Coutinho quanto Jesus tiveram a genialidade de ir buscar referências outros esportes e, talvez o mais difícil, adaptá-las para o futebol.

Além da ligação com o boxe descrita por Andrade dois parágrafos acima, o capitão também era um grande admirador do basquete. Do esporte jogado com as mãos, ele trazia os exemplos da compactação e da intensidade alta durante o jogo inteiro.

Mas é Jorge Jesus, um apaixonado pelo basquete, quem traz inovações relacionadas ao basquete. O português fez estágio em clubes de basquete e incorporou a suas equipes o conceito do pick-and-roll, movimento de bloqueio em que os jogadores impedem que um adversário se aproxime de um companheiro com a bola ou que vai receber um passe.

“As várias marcações que se usam, à zona, bola parada, fui eu que lancei há 25 anos. Bloqueios no futebol fui eu que trouxe do basquetebol. Todas as equipas hoje no mundo o fazem. Acho que sou um treinador que tem trazido coisas diferentes para o futebol”, expressou o português em entrevista à UEFA em 2018.

Resgate das origens e legado

“Jesus sepulta a ideia de que é preciso escalar um ou dois volantes para compensar meias e atacantes criativos, habilidosos. Todos podem e devem participar sem bola. Não vira ‘time de índio'”. Para André Rocha, o maior legado do português está em trazer de volta a coragem de se correr riscos em prol de estilo de jogo mais atrativo.

O futebol ofensivo praticado pelo Flamengo de Jorge Jesus fez com que os mais antigos torcedores e ídolos rubro-negros se lembrassem da equipe de Cláudio Coutinho. Muitos deles consideram um resgate do DNA do clube da Gávea, com uma forma de jogar encantadora e que há muito não se via.

Ele devolveu ao torcedor flamenguista o que em 38 anos se veio a perder. Um domínio territorial da sua equipe, uma atitude que demonstra para os torcedores que a equipe do Flamengo que busca os 90 minutos vencer a partida, ela é dominadora do seu adversário. O torcedor bate recordes [de público] porque acredita na sua equipe, em função dessa mudança que o Jesus introduziu nessa equipe atual. É uma equipe que joga bem, estruturalmente é organizada dentro do campo e tem excelentes jogadores”, avalia Mozer, zagueiro campeão Mundial em 1981, em entrevista ao Hashtag Rubro-Negro.

As lições deixadas por Jorge Jesus são uma resposta ainda que tardia às cobranças por uma mudança radical no futebol brasileiro em geral, após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014 e podem deixar marcar nas futuras gerações daqueles que pensam o jogo no país.

“Difícil prever, ainda mais com essa pausa por conta da pandemia. Mas os métodos dos dois, e agora de Eduardo Coudet no Internacional, podem ajudar sim na evolução de jovens treinadores brasileiros”, afirma André Rocha.

Apesar de já ter marcado seu nome na história, ainda é cedo para falar que Jorge Jesus iniciou uma revolução no futebol brasileiro. Ainda mais tendo em vista que os times do português costumam ter um rendimento excelente na primeira temporada, mas que costumam não manter o ritmo nos anos seguintes.

“Tenho algumas dúvidas de que o Flamengo esteja tão mais à frente assim aos adversários na questão táticas. Para se poder dizer que o Jorge Jesus revolucionou e criou uma nova maneira de jogar no Brasil, ele terá que conseguir fazê-lo durante mais tempo”, desafia Luís Cristóvão.

Para 2020, Jesus ganhou o seu tão sonhado camisa 9 e outros reservas à altura dos titulares para tentar confirmar sua hegemonia. A pandemia de Covid-19, porém, atrapalhou os planos do português e do Flamengo. A ver as cenas dos próximos capítulos para saber se haverá ou não uma revolução para ser televisionada.

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