Análise: Como Odair Hellmann parou o Flamengo de Jorge Jesus

Rubro-negro perdeu o título da Taça Rio na sua pior partida de 2020

Na noite da última quarta-feira (8), o Fluminense venceu o Flamengo nos pênaltis após empatar em 1 a 1 no tempo normal e se sagrou campeão da Taça Rio. O destaque do jogo foi a atuação defensiva do tricolor, que acabou gerando a pior partida do rubro-negro em 2020.

O Flamengo parecia irreconhecível dentro de campo, sem conseguir criar e sem as triangulações que se tornaram marca registrada deste time de Jorge Jesus. As perguntas que ficam são: o que aconteceu com a magia rubro-negra na noite desta quarta? Como Odair Helmann parou o Flamengo de Jorge Jesus?

Antes de analisar esta final de Taça Rio, devemos lembrar que o Odair e Jorge Jesus já haviam se enfrentado quatro vezes: três no ano passado, quando o hoje técnico do Fluminense estava no Internacional, e outra na semifinal da Taça Guanabara deste ano.

Voltando ao confronto pelas quartas de final da Libertadores, o time gaúcho deu bastante trabalho ao Flamengo, principalmente no jogo de ida, no Maracanã. Odair armou um time focado em fechar os espaços no meio de campo, entrando com Lindoso, Patrick e Edenilson. Ironicamente, a vitória rubro-negra naquele jogo veio de dois contra-ataques, ou seja, o Inter soube neutralizar o Flamengo com a bola e foram derrotados por erros quando o próprio colorado teve a bola no pé.

Para esta semifinal de Taça Rio, Odair aprimorou o que havia dado certo no ano passado, conseguiu sair com o título do segundo turno e forçou a disputa de mais duas partidas para decidir o Campeonato Carioca.

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Como o Fluminense de Odair Hellmann parou o Flamengo de Jorge Jesus:

1 – Pressão no portador da bola

O jogo em que o Flamengo de Jorge Jesus encontrou mais dificuldades certamente foi na final contra o River Plate, com o time de Gallardo fazendo pressão intensa no homem da bola.

Odair Hellmann repetiu isso, mas com uma diferença em relação à final da Libertadores: a pressão não foi no campo inteiro, mas sim a partir da intermediária defensiva.

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Arrascaeta recebe a bola e já tem dois jogadores do Fluminense fazendo pressão no uruguaio

Até houve raros momentos em que o Flu saiu para pressionar o Flamengo no campo de ataque, mas era evidente que Odair queria as linhas de defesa e meio o mais próximas possível.

O que não foi raro foi ver situações em que mais de um jogador tricolor pressionando o rubro-negro com a posse da bola. A estratégia de levar a bola para as laterais e encaixotar o homem da bola deu muito certo.

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Agora Everton Ribeiro é pressionado por três jogadores do Fluminense. Na sequência, ele tentou um passe de calcanhar, sem sucesso

Quando recebiam pelo meio, os jogadores do Flamengo mal tinham condições de dominar. Os tricolores ganharam muitas bolas se antecipando ou dando o bote agressivo no momento do domínio. Dominar, girar e enxergar o jogo? Sem tempo, irmão.

2 – Preenchimento do entrelinhas

Nos dois últimos jogos do Flamengo, um dos pontos fortes evidentes foi a atuação de Everton Ribeiro, Arrascaeta e Gabigol no entrelinhas. Odair tratou de “povoar” o meio de campo do Tricolor.

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Hudson e Dodi fecham o espaço entre as linhas de defesa e meio do Fluminense

Com um 4-1-4-1, Hudson ficou encarregado de fechar o espaço entre as duas linhas mais recuadas. Mas ele não era o único responsável pelo setor. Dodi, um pouco mais à esquerda, e Yago, pela direita, desciam (ou subiam) a marcação sempre que necessário.

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Fluminense num 4-1-4-1 bem definido, com Hudson no entrelinhas

Com esse preenchimento (junto com o próximo tópico), o meio do Fluminense conseguiu anular a influência de Everton Ribeiro e Arrascaeta no jogo.

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Sem espaço no entrelinhas, Everton Ribeiro e Arrascaeta tivera, muitas vezes, que jogar mais recuados, de frente para a linha de meio do Fluminense

3 – Corte de linhas de passe

O Fluminense não se limitou a seguir os adversários. Os volantes souberam ler bem os espaços para ortar as linhas de passe e evitar que os atletas com maior capacidade de improviso recebessem a bola (especialmente no entrelinhas)

Jogadores do Fluminense entrando na frente dos possíveis receptores do Flamengo, cortando as linhas de passe

4 – Gerson vigiado de perto

5 – Trocas de marcação e comunicação

O Fluminense entrou em campo com uma estratégia bem definida: não permitir espaços ao Flamengo. E para isso, precisava de uma equipe muito bem estruturada. O tricolor conseguiu isso na base da comunicação.

Era bastante comum ver os jogadores “chamando” os companheiros para dobrar ou trocar a marcação. Além disso, Odair não parou quieto na área técnica, orientando o time, principalmente na marcação. Os principais alertas eram para Marcos Paulo, Yago e Yuri.

6 – Comprometimento tático

7 – Diminuição do ritmo com a bola

A importância do camisa 77 não se deu só na marcação. Não era interessante ao Fluminense entrar num ritmo intenso de perde e ganha com o time do Flamengo. Com a bola, o importante era diminuir o ritmo e buscar explorar os espaços do rival

No primeiro tempo, Evanilson conseguiu ganhar embates físicos com os jogadores do Flamengo e segurar a bola um pouco mais à frente, mas não conseguiu criar muita coisa

No segundo, após sua saída, o papel de segurar a bola coube a Nenê, coisa que o experiente jogador teve qualidade para fazer e dar um respiro ao tricolor com a posse da bola

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